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O Alto Douro vinhateiro foi o cenário escolhido pelo cineasta Manoel de Oliveira para a rodagem do seu novo filme. «O Estranho Caso de Angélica», assim se chama a nova produção, está por estes dias a ser rodado no município da Régua, despertando as atenções dos mais curiosos.
Com 101 anos, Manoel de Oliveira continua a dar que falar. O seu novo filme é um regresso à região do Douro, que o inspirou numa série de filmes, entre os quais «Vale Abraão» e «Douro Faina Fluvial». «O Estranho Caso de Angélica», assim se chama o seu novo filme, é um projecto que conta com o apoio do Museu do Douro. As filmagens decorrem por estes dias e até ao próximo dia 15 no município da Régua, dando um bulício especial a esta região vinhateira.
Tendo em conta a riqueza cultural, paisagística e patrimonial do Douro, a cidade da Régua foi o cenário escolhido para acolher as filmagens desta nova aposta cinematográfica. Produzido pela Filmes do Tejo, o novo projecto conta com financiamento e apoio logístico do Museu do Douro, que aposta na promoção mundial da região duriense, através da divulgação internacional do filme - o filme será apresentado no Festival de Cannes ou de Veneza de 2011.
«O Estranho Caso de Angélica» é um projecto que Manoel de Oliveira guarda desde há longos anos. Escrito em 1954, o cineasta viu a produção do filme ser-lhe recusada pela censura que se vivia na época. O seu velho sonho torna-se agora realidade, com o apoio do Museu do Douro.
O cineasta revelou a vontade de realizar «O Estranho Caso de Angélica» há cerca de um ano, a 27 de Fevereiro, no dia em que lançou o vinho do Porto «100 - Centenário de Manoel de Oliveira» no Museu do Douro - um Tawny de 100 anos, produzido na própria quinta de Manoel de Oliveira, em Santa Marta de Penaguião, engarrafado em garrafas desenhadas pelo arquitecto Siza Vieira. De imediato, a direcção do Museu do Douro, liderada por Fernando Maia Pinto, acolheu a ideia e moveu esforços para que o projecto se concretizasse.
«O Estranho Caso de Angélica» baseia-se na vivência de uma mulher familiar de Manoel de Oliveira que, em meados do século passado, foi viver para o Douro e cuja história o impressionou. O drama começa com a morte dessa mulher e com um fotógrafo (Ricardo Trepa, neto do realizador) que é acordado a meio da noite para ir retratar os últimos traços da beleza da mulher já falecida. Adaptado à actualidade, este filme engloba todas características cinematográficas de Manoel de Oliveira: a paixão amorosa, a fé, o trabalho, o Douro e a sua paisagem, bem como a força da imagem.
Verdadeiro apreciador dos vinhos da Região Demarcada, Manoel de Oliveira desde sempre se sentiu atraído pelo Douro, uma terra que conhece muito bem e que lhe serviu de inspiração para alguns projectos, como foi o caso do longínquo «Douro, Faina Fluvial» de 1931. Mais recentemente, em 1993, o cineasta mais internacional de Portugal realizou «Vale Abraão». O Douro sempre foi uma «personagem» presente na sua vida.
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