
O Museu do Douro apresentou na passada segunda-feira, o Quarteto de Cordas Douro. Trata-se do único grupo do género residente num espaço museológico nacional. O Museu do Douro apresentou esta formação, pela primeira vez, no Dia Internacional dos Museus, perante uma plateia de 150 pessoas.
O músico romeno sublinha que encontrou sintonia entre a música e a filosofia de acção do Museu do Douro. «Houve uma convergência de interesses entre o que nos propúnhamos fazer a nível musical e a filosofia que o director do museu [Fernando Maia Pinto] queria implementar. A universalidade da música que pretendemos interpretar encontrou uma forte sintonia com a universalidade deste museu de território», frisa Radu Ungureanu, director artístico do Quarteto de Cordas Douro.
Radu Ungureanu, professor da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Porto e maior entusiasta do Quarteto Douro, apercebeu-se que o Museu do Douro não se propõe apenas reunir objectos de uma época, mas também potenciar o legado cultural da região, com a acção centrada na cultura específica da zona. «Pretendemos dar um contributo para esse amplo objectivo, queremos apresentar uma réplica vivida do legado cultural musical», esclarece. Ou seja, se um quarteto «permite a possibilidade de essencializar música», o Museu do Douro, diz Ungureanu, destina-se a expor a essência do Alto Douro Vinhateiro.
Com este grupo residente, o Museu do Douro cria uma programação de referência com uma forte identidade, com o objectivo de marcar a agenda cultural duriense e atrair novos públicos para a Região Demarcada do Douro. Este quarteto passará também a estar disponível para a realização de concertos em vários local do país - qualquer entidade interessada pode entrar em contacto com o museu.
Constituído por Radu Ungureanu e Gaspar Santos, nos violinos, Manuel Costa, na viola, e Filipe Quaresma, no violoncelo, o quarteto de cordas «Douro» nasceu como consequência da junção prática de afinidades musicais, mas também de personalidades com características distintas. Radu Ungurean, professor de violino na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Porto, assume que a lógica do quarteto «é uma paixão de vida». «Quatro ?vozes? [instrumentos] bastam para constituir um edifício sonoro completo», nota.
Radicado em Portugal há 16 anos, e tendo formado vários outros quartetos, Ungureanu encontra uma «curiosa» afinidade metafórica entre o vale do Douro e outros vales que funcionaram como berço de grandes compositores: o Danúbio e o Reno.
O reportório deste quarteto passa pela música romântica, alemã, francesa e pós-romântica. A formação «Douro» vai também promover a obra de compositores portugueses, como Fernando Lopes Graça, Cláudio Carneiro, Freitas Branco e outros.
«Queremos oferecer uma composição de cada concerto sempre misturada num sentido equilibrado. A médio prazo vamos dar a conhecer as jóias de Haydn, considerado «pai» dos quartetos de cordas, mas também de Mozart, Beethoven, Schubert, Bartók, Ravel», sinaliza.
Sinopse
Quarteto de Cordas «Douro»
Constituído por Radu Ungureanu e Gaspar Santos, nos violinos, Manuel
Costa, na violeta, e Filipe Quaresma, no violoncelo, o quarteto de cordas «Douro»
nasceu como consequência da junção prática de afinidades musicais, mas também
de personalidades com características distintas, dos quatro instrumentistas. A sua homogeneidade, assegurada pelos quatro instrumentos, pertencentes à mesma família (das cordas friccionadas), bem como o extenso leque de capacidades técnicas e expressivas, oferece um fértil campo de acção para a interpretação das obras de compositores de várias épocas.
Surgido nos meados do século XVIII, a formação quarteto de cordas conquistou rapidamente o lugar de eleição entre os meios disponíveis para exprimir pensamentos musicais. Compositores como Haydn, Mozart, Beethoven, Schubert, Bartók ? e muitos outros ? criaram, ao longo da vida, as mais significativas obras-primas para quartetos de cordas. ?Douro? propõe a divulgação deste repertório de excelência, numa visão interpretativa actual, prestando particular atenção à autenticidade estilística.
Estreia no Museu | 18 de Maio| 22h30
Joseph Haydn - Quarteto em Ré Maior, op. 64 n.º 5, «A Cotovia»
W. A. Mozart - Adágio e Fuga em Dó Menor, KV. 546
Franz Schubert - Quarteto em lá menor, o p. 29, «Rosamunde»
Contacto Quarteto de Cordas do Douro | Ana Padilha 968 078 181
E-mail | anapadilha@gasparsantos.eu
Director : Radu Ungureanu 91 473 64 46
Biografias
Radu Ungureanu, 1º Violino
Actualmente é Concertino Assistente da Orquestra Nacional do Porto, professor de violino na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Porto e mantém uma constante actividade concertista com o Quarteto Camões, a Oficina Musical, os Trios «Contrastes» e «Enesco» e o Duo, com o pianista Constantin Sandu. É o fundador do Quarteto Douro e Camarata NovNorte.
Nasceu na cidade romena de Târgoviste, onde iniciou os seus estudos musicais, aos seis anos. Aos dez, continuou a estudar em Bucareste, no liceu de Música nº 1, concluindo a licenciatura em violino (professores: Varoujan Cozighian e Avy Abramovici) em 1976, com a qualificação máxima. Aperfeiçoou-se em ?masterclass? com Yury Yankelewitch, Ralph Evans, Ruben Gonzales, Joseph Benyamini e os membros dos quartetos Amadeus, Smetana, Tatrai, A. Berg e Fine Arts.
Foi vencedor de vários concursos nacionais de violino ou de música de câmara e protagonizou, desde cedo, uma ampla actividade concertista.
Tocou como solista, com várias orquestras, e sustentou centenas de recitais com piano, a solo ou de música de câmara, em digressões pela França, Holanda, Alemanha, Bélgica, Itália, EUA, Espanha, Portugal, Roménia, Inglaterra, Hungria, Bulgária, etc.
Gravou para ?Electrecord?, EMI, Erato, Rádio-Televisão Romena, etc.
Com o seu quarteto ?Serioso? (1975-1992), tocou a integral dos quartetos de Beethoven (1987- 1988) e Mozart (1989-1990). Ainda no tricentenário Bach (1985), realizou, em concerto, a Integral das Seis Obras para Violino Solo.
Participou em festivais de Bucareste (G. Enesco), Oradea (M. Haydn), Colonia, Amsterdão, Cagliari, Ferrol, Phenian, Milwaukee, Kerkrade, Lisboa, Aveiro, Vila Real, Paços de Brandão, etc. Compositores como Wilhelm Berger, Zeno Vancea, Cristian Petrescu, Virgílio Melo, dedicaram-lhe obras.
Gaspar Santos, 2º Violino
Membro fundador do Quarteto Douro e Camarata NovNorte, Gaspar Santos nasceu em Espinho em 1979 e iniciou os estudos musicais na Academia de Música de S. Félix da Marinha na classe de violino.
Aos onze anos ingressa na Escola Profissional e Artística do Vale do Ave (ARTAVE), onde concluiu o curso básico de instrumentista de cordas, sobre a orientação do professor David Lloyd.
Ingressou no Conservatório de Música do Porto para estudar com o professor Radu Ungureanu. Integrou a Orquestra do Norte, Orquestra Filarmonia das Beiras, Orquestra de Câmara de Coimbra, Orquestra Sinfónica da FAP e Orquestra das Raízes Ibéricas, com as quais realizou diversos concertos com os mais variados maestros por todo o país.
Apresentou-se como solista com a Orquestra Artave, Orquestra do Conservatório de Música do Porto, Orquestra de Câmara de Pedroso e Orquestra de Câmara de Coimbra.
Obteve o 3º prémio no concurso «Prémio Jovens Músicos» na classe de violino em 1995, o 1ºe 3º?s prémios no Concurso Interno do Conservatório de Música do Porto na classe de Música de Câmara em 1996 e o 1º prémio Europaischen Musikfestival Für Die Jugend, Neerpelt.
Integrou o Quarteto Walter Hidalgo Tango (2004-2007). Apresentou-se no TeCA e TNSJ, com a obra «Maria de Buenos Aires» de Astor Piazzolla, 2006. Toca num violino cópia do «Cannon» de Joseph Guarnerius, contruído pelo Luthier «Eng. Joaquim Domingos Capela - ano 2000 - em Homenagem a José Francisco dos Santos e Maria Assunção M. F. dos Santos».
Manuel Costa, Viola
Frequenta o curso livre de preparação para mestrado e doutoramento na Universidade do Minho com os professores Jorge Alves e Toby Hofmann.
Manuel Costa nasceu no Porto em 1986 e iniciou os estudos musicais no Centro de Cultura Musical e na Escola Profissional Artística do Vale do Ave em violino e viola. Estudou com os professores Ana Cristina Mikus, Suzanna Lidegran, António Soares e Jorge Alves.
Concluiu a licenciatura em 2008 na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo na classe de viola do professor Ryszard Wóycicki.
Colaborou em inúmeras orquestras como a Artave, Sinfonieta (da ESMAE), ESART, Orquestra Nacional do Porto, Orquestra Barroca da Casa da Música, Orquestra de Câmara do Minho, Orquestra de Espinho, Orquestra de Música Antiga da ESMAE. Trabalhou com os maestros Xavier Gagnepain, Omri Hadari, António Saiote, Ernest Schell, Cesário Costa, Pedro Neves, Toby Hoffman, Yuri Nasuskin, Ana Mafalda Castro, Laurence Cummings.
Pertenceu a formações de quarteto de cordas com piano, trio com piano, trio de cordas, e trio com clarinete e piano, sendo orientado pelos professores Ana Mafalda Castro, Jed Barahal, António Saiote, Sofia Lourenço e Radu Ungureanu.
Filipe Quaresma, Violoncelo
Actualmente estuda com Natalia Gutman na Scuola di Musica di Fiesole (Florença).
Nascido na Covilhã, em 1980, iniciou os seus estudos musicais em piano aos seis anos de idade no Conservatório local. Aos doze anos, ingressou na Escola Profissional de Artes da Beira Interior para estudar violoncelo com Rogério Peixinho.
Em 1998 prosseguiu os seus estudos em Londres na Royal Academy of Music. Estuda com David Strange e Mats Lidstrom até 2003, terminando o BMus e PostGraduate com as mais altas classificações, tendo sido distinguido com o prestigiado Diploma da Royal Academy of Music. Ainda em Londres, foi escolhido para pertencer aos Solistas da Royal Academy of Music, grupo dirigido pela violinista Clio Gould.
Foi premiado em vários concursos: 1996, 1º prémio (solistas nível médio), 2001, 2º prémio (solistas nível superior) no concurso Prémio Jovens Músicos da RDP; 1997, 1º prémio no Concurso Internacional Júlio Cardona (classe B). Em Londres obteve: Norah Mary Turner Trust Award, Sir Arthur Bliss Prize, Foundation Award, S&M Eyres Scholarship, Guilhermina Suggia Scholarship e Bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian.
Integrou a Orquestra de Jovens da União Europeia durante quatro anos consecutivos, tendo tocado em todas as grandes salas europeias.
Como solista tocou com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, Orquestra Sinfónica Juvenil, Orquestra da Semana Internacional de Música do Luxemburgo, Remix-Orquestra, Orquestra Barroca da Casa da Música, Orquestra Filarmonia das Beiras e Remix Ensemble. Com este último, Filipe tem estreado e gravado inúmeras obras de compositores contemporâneos portugueses e estrangeiros, o que o leva a viajar por Lisboa, Berlim, Madrid, Estrasburgo, entre outros.
Filipe Quaresma é violoncelista da Camerata Senza Misura e do Darcos Ensemble, com os quais desenvolve projectos musicais independentes.
Contactos:
Ana Padilha
Tlm. 968078181
anapadilha@gasparsantos.eu
Peso da Régua, 12 de Maio de 2009
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