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No Museu do Douro continua o ciclo de exposições englobado na grande exposição de 2010 «Rios Douro». O rio e a região do Douro, um lugar mágico por natureza, uma memória que não se perde, uma nostalgia que permanece, um amor que perdura. Prazeres que «Faina Fluvial no Douro» partilha com os visitantes.
Inaugurou no passado dia 29 de Janeiro mais uma etapa da exposição «Rios Douro» patente no edifício sede do Museu do Douro, situado no Peso da Régua. A nova mostra, «Faina Fluvial no Douro», prolonga-se até ao dia 5 de Abril de 2010 - «Rios Douro» continuará numa espécie de working in progress até 25 de Abril de 2011 -, tendo nascido com o objectivo de apresentar uma visão estética sobre o rio Douro, através de um conjunto de obras que cinco artistas plásticos apresentaram no âmbito de um concurso da Escola de Belas-Artes do Porto, a saber: Amândio Silva, Augusto Gomes, Guilherme Camarinha, Júlio Resende e Sousa Felgueiras.
As obras destes cinco artistas não se referem apenas ao rio, mas também à Região do Douro. O Douro passa de registo documental a cenário pitoresco ou de costumes, para ser representado em grande escala sob a forma de pintura e de gravura. O Douro acentua-se como um lugar de evocação de memórias, com o objectivo de criação de geometrias ou de experiências cromáticas.
Tudo se projecta no Douro: memória de uma natureza primordial, documento da dureza do trabalho, hino à infinita capacidade do homem para vencer os obstáculos, lugar de nostalgia, imagem comercial, tema pictórico, valor patrimonial e paisagístico, destino de lazer. Acima de tudo, lugar de todas as representações e de uma permanente construção de mitos.
Filme «Douro Faina Fluvial» projectado durante a exposição
No contexto das representações do rio, esta exposição não podia deixar de evocar «Douro Faina Fluvial», de Manoel de Oliveira, obra maior do cinema português, à qual não será também alheio o tema escolhido para o concurso da Escola de Belas-Artes do Porto, realizado em 1962. Este filme é projectado numa das paredes do 1º andar da sala de exposições do Museu do Douro, onde decorre a exposição.
Apresentado em 1931, o filme «Douro Faina Fluvial» ficou registado na história do cinema como um documentário sobre o trabalho, o rio e a cidade do Porto. Manuel de Oliveira e o seu filme pairam assim sobre esta exposição, sobre o seu tema e sobre o seu lugar de acolhimento, a cidade de Peso da Régua.
O trabalho dos cinco artistas
Através desta exposição, o Museu do Douro pretende homenagear o rio Douro «actor principal» do Alto Douro vinhateiro, pessoas e instituições, desde logo a Escola Superior de Belas Artes do Porto, que cumpriu o desígnio de pintar, esculpir, projectar e planear para o Douro. Em exposição estão as obras que os cinco artistas apresentaram no âmbito do concurso para o lugar de Professor do Quinto Grupo - Pintura da ESBAP.
O Douro que os pintores escolhem está perto da sua foz, é o rio vertido no mar, nas imediações do Porto. É o rio dos construtores de barcos nos estaleiros, dos trabalhadores dos rabelos que carregam e descarregam o vinho do Porto, dos pescadores e suas mulheres, da descarga das barcaças de carvão, das peixeiras.
Augusto Gomes levou o Douro até às praias de Matosinhos, Amândio Silva agarrou a terra, Júlio Resende pintou em verde claro, Guilherme Camarinha geometrizou, Sousa Felgueiras pintou o Porto em fundo e os Homens em primeiro plano. Cada peça integrou-se de forma natural na obra do seu autor, revelou as suas preocupações formais e assumiu um significado próprio no trajecto individualmente definido, desde que cada um se formou, nos anos 40 e 50.
Para o Museu do Douro, estas obras possuem um valor singular que continua a justificar a sua exposição na actualidade.
A exposição «Rios Douro» inaugurou em 16 de Dezembro 2009 e prolonga-se até 25 Abril de 2011, num processo dinâmico que inclui vários momentos.
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